Cataratas do Iguaçu/Foz do Iguaçu - Joel Rocha/Seet

Notícias

03/07/2018

Sanepar promove fórum sobre mexilhão dourado

A Sanepar promoveu, no dia 28 de junho de 2018, o Fórum de Debates sobre a espécie exótica e invasora Limnoperna fortunei, o popular Mexilhão Dourado, cuja presença vem sendo mapeada mediante análises do instituto Lactec na água coletada em unidades de captação de água, em todas as regiões do Estado. A cidade-sede, Londrina, já registra a presença do molusco no lago Igapó.

Mexilhão Dourado

O mexilhão dourado é originário da China e entrou no Brasil em 1991, provavelmente por meio da água de lastro dos navios. Desde então, tem se proliferado de forma cada vez mais agressiva em rios e lagos. Segundo a bióloga e mestre em zoologia Patrícia Dammski Borges de Andrade, o mexilhão é voraz e causa sérios impactos ambientais, ao se fixar na raiz de plantas, em crustáceos, em outros moluscos e em vários substratos naturais e artificiais. Ao se fixar, ele se reproduz rapidamente formando grandes incrustações em embarcações, tubulações de água, turbinas de usinas hidrelétricas, causando graves problemas operacionais.

O Mexilhão Dourado vem ganhando território no interior do Brasil e já avança no Paraná, causando sérios problemas e prejuízos aos diversos setores que dependem diretamente da água, como a Geração de Energia, o Saneamento, a Aquicultura, as indústrias e a biodiversidade.

Segundo pesquisadores, a velocidade de propagação desta espécie é de 240 Km/ano, mas superada no estado do Paraná, com 400 km /ano, quase o dobro da média mundial. Como o Mexilhão Dourado não sobe rios, é o ser humano quem o transporta, quando aderidos a embarcações ou imersos na água repousada no piso destas ou em recipientes. A forma mais eficiente de evitar a propagação consiste em evitar a transposição de embarcações e objetos entre diferentes rios e lagos.

O fórum

O fórum reuniu pesquisadores do Lactec, da Universidade Estadual de Londrina, da Universidade Estadual de Maringá, Itaipu Binacional e Sanepar, a fim de fomentar a criação de grupos de trabalhos internos e externos, com participação da Copel Força Verde, Instituto Ambiental do Paraná, universidades e outras instituições, favorecendo a elaboração de planos de ações conjuntos, compartilhamento de resultados, trabalho dos riscos associados por bacias hidrográficas e treinamento dos representantes dos grupos gestores dos comitês de bacias.

Atualmente, a Sanepar concentra esforços em sua Unidade de Serviço Industrial de Londrina (USIDLD), representada pelo gerente Gil Gameiro o qual afirma já ser possível definir planos de ação, já que “o mexilhão tem avançado no Paraná e estamos buscando informações com universidades, institutos de pesquisa para saber quais os impactos e quais as opções de controle ou mitigação dos danos”.

Plano de trabalho

A proposta de um plano de trabalho integrado foi apresentada pela bióloga Unidade de Recursos Hídricos da Sanepar Cláudia Vítola, a qual afirma ser “essencial para termos êxito no controle do mexilhão, que deve desenvolver também ações de parceria com a iniciativa privada, Polícias Rodoviária e Ambiental para garantir a limpezas das embarcações que contribuem para a disseminação dos mexilhões”.

As apresentações

O Fórum conduzido em Londrina contou com apresentações nos seguintes temas:

• Análise de detecção do mexilhão dourado (Limnoperna fortunei) em amostras de água
  M.Sc. Patrícia D. Borges de Andrade, do Instituto Lactec .

• A invasão do mexilhão dourado nas águas do rio Paranapanema
  Prof. Dr. Diego Garcia (UEL – Universidade Estadual de Londrina)

• Experiência da URFI com mexilhões dourados na década de 2000
  Eng. Luiz Carlos Medeiros (Sanepar /URFI – Unidade Regional de Foz do Iguaçu)

• Histórico do monitoramento do mexilhão dourado na usina de Itaipu
  Eng. Maurício Adames (Itaipu Binacional).

• Avaliação genética como ferramenta de pesquisa do Limnoperna fortunei
  Prof. Dr. Nelson Lopera (UEL – Universidade Estadual de Londrina)

• Ações preventivas e corretivas para evitar a propagação de mexilhões
  Cláudia Vítola (Sanepar/USHI – Unidade de Serviços de Recursos Hídricos)

Em resumo, o grau de especialidade e o alto nível dos técnicos do estado do Paraná acerca deste tema, conforme evidenciado no fórum de Londrina, traz a certeza de ser possível um trabalho que reúna todo o potencial já identificado, em favor de plano de trabalho inter-institucional, a fim de maior integração, empreendendo-se esforços focados na redução ou mesmo o estancamento da propagação do Mexilhão Dourado no estado do Paraná. As principais contribuições estão registradas abaixo:

• Patrícia do Lactec , apresentou o mapa com os locais de ocorrência do Mexilhão Dourado, com os dados obtidos em publicações e também os obtidos no primeiro mapeamento realizado pela Sanepar, com o apoios das áreas : USAVs / Unidades Regionais/ USIDLD / USHI.

• Os dados obtidos nas análises de DNA realizadas pelo Lactec, no mapeamento da Sanepar, demonstram a grande dispersão desta espécie no estado do Paraná. Dos 58 pontos realizados 36 foram positivos para Mexilhão, 15 duvidosos (insuficientes), e 7 negativos.

• O Prof. Dr. Diego da UEL- Universidade Estadual de Londrina, destacou a preocupação quanto a perda da biodiversidade, salientando que se nada for feito para evitarmos a entrada desta espécies no ecossistemas regionais, estas espécies invasoras irão predominar sobre as outras levando a extinção das espécies.

• O eng. Luiz Carlos Medeiros da URFI/ Sanepar, fez uma explanação sobre a experiência da unidade regional de Foz do Iguaçu, quanto aos procedimentos adotados, as pesquisas realizadas. Este salientou que o principal problema que tiveram foi na grade de proteção da bomba de captação localizada no lago de Itaipú, nos anos de 2003 a 2005, aonde a frequência de retirada dos mexilhões das grades chegava a ser mensais, hoje a infestação diminuiu e a frequência de limpeza das grades passou a uma frequência semestral.

• O eng. Mauricio da Itaipu falou dos sérios problemas enfrentados pelo setor hidroelétrico, principalmente no resfriamento das turbinas, entupimento dos filtros, e as dificuldades de controles.

• O prof. Dr. Nelson da UEL, falou sobre as dificuldades financeiras da Universidade para dar o prosseguimento as pesquisas nesta área, devido os elevados custos dos Kits de análises para a detecção de Mexilhões e dos progressos obtidos nas pesquisas e desenvolvimento de novas técnicas genéticas para detecção desta espécie.

• A bióloga Claudia Vítola da USHI apresentou sobre ações corretivas e preventivas para evitarmos novas contaminações, a importância e necessidade de termos uma gestão compartilhada no estado, a importância da formação de grupos de trabalhos para definições dos planos de ações e comunicações dos riscos associados, definições de normas e leis que apoiem e disciplinem as atividades propulsoras desta disseminação.

Em resumo, o grau de especialidade e o alto nível dos técnicos do estado do Paraná acerca deste tema, conforme evidenciado no fórum de Londrina, traz a certeza que ser possível um trabalho que reúna todo o potencial já identificado, em favor de plano de trabalho inter-institucional, a fim de maior integração, empreendendo-se esforços focados na redução ou mesmo o estancamento da propagação do Mexilhão Dourado no estado do Paraná.

ESPÉCIE EXÓTICA - O mexilhão dourado é originário da China e entrou no Brasil em 1991, provavelmente por meio da água de lastro dos navios. Tem se proliferado de forma descontrolada em rios e lagos. Segundo a bióloga e mestre em zoologia Patrícia Dammski Borges de Andrade, o mexilhão é voraz e causa sérios impactos ambientais, ao se fixar na raiz de plantas, em crustáceos, em outros moluscos e em vários substratos naturais e artificiais. Ao se fixar, ele se reproduz rapidamente formando grandes incrustações em embarcações, tubulações de água, turbinas de usinas hidrelétricas, causando graves problemas operacionais.

Patrícia explica que o mexilhão interfere na cadeia trófica do ambiente e também na qualidade da água, ao provocar queda da turbidez, deixando a água transparente e suscetível ao aparecimento de algas. “O mexilhão dourado está se expandindo rapidamente no Paraná – já foi detectado nas bacias do Iguaçu e do Tibagi – e muitos pontos ainda não são monitorados. A importância da detecção precoce é adotar medidas de controle para conviver com a espécie, já que a extinção é impossível”, disse.

MEXILHÃO NA SANEPAR – Levantamento feito pela Sanepar, com a coleta de 58 amostras de água em barragens de captação e nas entradas de estações de tratamento, mostrou resultado positivo em 36 pontos, 15 duvidosos e 7 negativos. Mas, as análises anteriores mostram que não existe registro na água tratada, o que comprova que o tratamento é suficiente para eliminar a espécie. Os problemas são em tubulações das unidades de captação.

Em 2001, apareceu o mexilhão no sistema de Foz do Iguaçu, mais especificamente na captação flutuante da Vila C. O coordenador industrial da Sanepar em Foz, Luiz Carlos Medeiros, relata que a Sanepar teve ajuda da Usina de Itaipu e da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para detecção e controle da espécie. Segundo Medeiros, a proliferação foi tão grande e rápida que gerou paralisação no sistema de produção de água. A limpeza do gradeamento tem que ser feita manualmente. Em 2003, era preciso fazer a limpeza nas tubulações da captação a cada 3 meses, quando eram retirados 3 m³ de mexilhões. Com o controle, hoje a Sanepar faz a limpeza uma vez por ano e é retirado esse mesmo volume. “As análises mostram a eficiência do tratamento na eliminação de qualquer indício do mexilhão”, assegura.
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